Conselho Regional de Química XII Região

Pesquisadores dos laboratA?rios nacionais de Luz SA�ncrotron (LNLS), BiociA?ncias (LNBio) e Nanotecnologia (LNNano), vinculados ao MinistA�rio da CiA?ncia, Tecnologia, InovaA�A�es e ComunicaA�A�es, estA?o desenvolvendo uma tecnologia baseada em nanopartA�culas para que medicamentos quimioterA?picos atinjam especificamente as cA�lulas do cA?ncer, causando um dano mA�nimo A�s cA�lulas saudA?veis do corpo. As pesquisas, feitas em parceria com cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foram desenvolvidas no LNLS para anA?lise das nanopartA�culas usadas no estudo.

A maioria das drogas usadas na quimioterapia do cA?ncer ataca o processo de divisA?o celular. Embora a divisA?o descontrolada seja a caracterA�stica principal dos tumores, cA�lulas saudA?veis tambA�m se dividem e, por isso, acabam sofrendo com a aA�A?o dos quimioterA?picos que, uma vez aplicados, se espalham por todo o corpo, causando efeitos colaterais.

O sistema testado pelos pesquisadores brasileiros A� composto de nanopartA�culas de sA�lica a�� o mesmo material dos grA?os areia a�� “decoradas”, ou revestidas, por um tipo de molA�cula orgA?nica, o folato. “A cA�lula de cA?ncer expressa mais receptores de folato que as cA�lulas normais”, explica o biA?logo da Unicamp JA�rg Kobarg. Com isso, as nanopartA�culas, que podem carregar quimioterA?picos, acabam sendo mais absorvidas pelo tumor do que por tecidos saudA?veis.

“Ainda nA?o sabemos exatamente se foi o folato que criou essa seletividade”, acrescenta Kobarg. “Mas as partA�culas estA?o decoradas com o folato, e a cA�lula de cA?ncer expressa mais desse receptor, entA?o essa poderia ser uma explicaA�A?o. A gente observou que, realmente, a nossa partA�cula A� bem mais tA?xica para a cA�lula de cA?ncer do que para a cA�lula normal”.

InsolA?vel
O artigo publicado no periA?dico Langmuir, “Functionalized Silica Nanoparticles As an Alternative Platform for Targeted Drug-Delivery of Water Insoluble Drugs”, descreve a aA�A?o do modelo sobre linhagens de cA�lulas da prA?stata, saudA?veis e tumorais. As nanopartA�culas revestidas de folato foram carregadas com curcumina, um pigmento extraA�do do aA�afrA?o-da-terra que vem sendo estudado como possA�vel medicamento contra o cA?ncer. Em tese, as partA�culas poderiam transportar qualquer droga, inclusive quimioterA?picos tradicionais.

“Ela [curcumina] A� colorida, o que A� uma vantagem na hora de analisar as partA�culas, e A� insolA?vel em A?gua, o que traz uma vantagem adicional. Hoje, nA?o A� tA?o utilizada em tratamentos porque, se vocA? tentar dissolver no sangue, nA?o vai funcionar. SA? que a gente conseguiu colocA?-la dentro das partA�culas, e as partA�culas sA?o solA?veis. SA?o as nanopartA�culas que levam o fA?rmaco”, diz o pesquisador Mateus Borba Cardoso, do LNLS.

O uso do folato, segundo os cientistas, foi apenas um primeiro passo. Novos estudos testarA?o modos de “decorar” a sA�lica com anticorpos, aumentando a seletividade da partA�cula por cA�lulas de cA?ncer.

AplicaA�A?o
O artigo publicado constata a afinidade das nanopartA�culas revestidas de folato por cA�lulas de cA?ncer, e sua toxicidade contra essas cA�lulas. O resultado inicial foi considerado promissor, mas a taxa de tA�cnicas propostas para o combate ao cA?ncer que se mostram favorA?veis em testes in vitro e que acabam se revelando realmente viA?veis como tratamento A� muito baixa a�� da ordem de 5%, segundo algumas estimativas.

“A� um A�ndice baixo, muito baixo”, reconhece Cardoso. “Eu, particularmente, acredito que antes que a gente tenha algum ensaio in vivo, mais definitivo, precisamos aprimorar um pouco o sistema, que A� o que jA? estamos fazendo, tentando botar anticorpos na superfA�cie. Porque o anticorpo com a cA�lula de cA?ncer A� como se fosse chave e fechadura. EntA?o, a nossa ideia A� colocar anticorpos para que somente um A?nico tipo de cA�lula reconheA�a aquela nanopartA�cula, atravA�s do anticorpo, e aA� o tratamento seria muito mais eficaz”.

SA�ncrotron
O LaboratA?rio Nacional de Luz SA�ncrotron, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CPNEM), vinculado ao MCTIC, foi usado para anA?lise das nanopartA�culas. O sA�ncrotron utiliza elA�trons acelerados quase A� velocidade da luz para produzir feixes de radiaA�A?o penetrante, capaz de gerar imagens detalhadas e levantar dados sobre as caracterA�sticas dos materiais estudados.

Fonte: MCTIC.