Conselho Regional de Química XII Região

Em 50 anos, o Brasil saiu da condiA�A?o de inseguranA�a alimentar para uma agricultura pujante. Se, nos anos 1950, a seca no Nordeste e as terras consideradas improdutivas do Cerrado limitavam a produA�A?o agrA�cola, hoje, o paA�s A� o segundo maior exportador de alimentos do mundo, atrA?s apenas dos Estados Unidos. E uma projeA�A?o da OrganizaA�A?o das NaA�A�es Unidas para Agricultura e AlimentaA�A?o (FAO) coloca o Brasil na lideranA�a em 2024. Tudo isso sA? foi possA�vel graA�as A� ciA?ncia e tecnologia.

“Houve um salto muito expressivo da agropecuA?ria brasileira. A nossa agricultura A� baseada em ciA?ncia. Chegamos a esse patamar por conta da pesquisa agropecuA?ria. Houve investimentos significativos para que chegA?ssemos a esse ponto, e A� fundamental que continuemos investindo em pesquisa para seguir essa trilha”, afirmou o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuA?ria (Embrapa), Ladislau Martin Neto.

A contribuiA�A?o da ciA?ncia para a produA�A?o de alimentos e a seguranA�a alimentar A� o tema da 13A? Semana Nacional de CiA?ncia e Tecnologia que o MinistA�rio da CiA?ncia, Tecnologia, InovaA�A�es e ComunicaA�A�es (MCTIC) realiza entre 17 e 23 de outubro em todo o paA�s.

“A ciA?ncia e a tecnologia tA?m um papel muito importante dentro do desenvolvimento agrA�cola. A� com pesquisa que vocA? melhora a produtividade e consegue alimentos com maior qualidade para a populaA�A?o. NA?s, aqui no MCTIC, apoiamos a formaA�A?o de recursos humanos para a ciA?ncia, e a agricultura A� parte do nosso escopo. O CNPq apoia pesquisas na graduaA�A?o e na pA?s-graduaA�A?o, e muitos desses estudantes tA?m atividades de pesquisa voltadas para a agropecuA?ria”, disse o secretA?rio de PolA�ticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento, Jailson de Andrade.

Pesquisa revolucionA?ria
A pesquisa cientA�fica foi fundamental, por exemplo, no desenvolvimento da tecnologia de fixaA�A?o biolA?gica de nitrogA?nio no solo. O mA�todo inovador da engenheira agrA?noma Johanna DA�bereiner (1924-2000), tcheca naturalizada brasileira, consiste na inserA�A?o de bactA�rias Rhizobium em sementes para que os organismos celulares sirvam como uma espA�cie de adubo natural. A tA�cnica permitiu que o solo do cerrado, de elevada acidez, se tornasse um terreno fA�rtil. Essa expansA?o da fronteira agrA�cola revolucionou a agropecuA?ria brasileira. O trabalho, que comeA�ou com a soja, hoje se estende para outras culturas. O mA�todo inovador que transformou o cerrado em A?rea produtiva tornou o cultivo mais barato e natural, uma vez que substituiu o uso de fertilizantes nitrogenados a�� um insumo caro e poluente.

“Esse processo gera uma economia anual de US$ 10 bilhA�es apenas na cadeia da soja, alA�m de todos os impactos ambientais positivos da nA?o utilizaA�A?o da adubaA�A?o nitrogenada. O orA�amento anual da Embrapa A� de US$ 1 bilhA?o e, com a utilizaA�A?o de uma A?nica tecnologia, conseguimos pagar o funcionamento da cadeia de pesquisa por dez anos”, explicou Martin Neto.

A tecnologia garantiu a Johanna DA�benreiner um assento na Academia de CiA?ncia do Vaticano, alA�m de uma indicaA�A?o para o PrA?mio Nobel de QuA�mica em 1997.

Mais com menos
Um dos trunfos da agropecuA?ria brasileira A� a produtividade. Segundo levantamento do MinistA�rio da Agricultura, cada hectare semeado no Brasil A� capaz de produzir atA� trA?s toneladas de alimentos. Na dA�cada de 1990, esse valor era de uma tonelada/hectare. Nesse perA�odo, o incremento da produA�A?o foi de 250%, saltando de 60 milhA�es de toneladas por safra para 250 milhA�es de toneladas. A A?rea plantada, porA�m, cresceu em um ritmo muito menor: 50%.

Isso sA? foi possA�vel com a incorporaA�A?o de diferentes tecnologias ao trabalho no campo. A biotecnologia, a nanotecnologia e as tecnologias da informaA�A?o e comunicaA�A?o (TICs) foram fundamentais para melhorar a produtividade do agronegA?cio. Os usos sA?o dos mais diversos. VA?o desde a modificaA�A?o genA�tica de sementes atA� o uso de drones para o monitoramento de plantaA�A�es. HA? tambA�m a utilizaA�A?o em larga escala da Internet das Coisas (IoT) em mA?quinas agrA�colas, que permitem ao agricultor monitorar em tempo real as condiA�A�es do solo durante a semeadura ou a colheita.

“O uso de novas tecnologias nos permite produzir mais usando menos A?rea e menos recursos naturais. Elas sA?o aliadas da agropecuA?ria. Um dos exemplos A� o melhoramento genA�tico, mas hA? tambA�m o desenvolvimento de insumos e de mA?quinas agrA�colas e ferramentas de gestA?o da produA�A?o. SA?o tecnologias convergentes que, sem dA?vida, sA?o decisivas e serA?o muito mais no futuro do agronegA?cio brasileiro”, enfatizou Ladislau Martin Neto, da Embrapa.

Fonte: MCTIC.