Conselho Regional de Química XII Região

A maioria dos estudos sobre os efeitos dos raios solares sobre a pele preocupa-se apenas com os raios ultra-violeta. O professor MaurA�cio da Silva Baptista , do IQ-USP, pesquisador CEPID Redoxoma em Biomedicina e do NAP-Phototec, ao contrA?rio, tem dedicado seus quase 20 anos de pesquisa a entender os efeitos da luz visA�vel.

Ao mesmo tempo em que ela A� fundamental A� vida e possibilita uma sA�rie de processos como a fotossA�ntese ou mesmo a visA?o, ela apresenta um risco A� saA?de humana.

A� este o tema de sua conferA?ncia “O lado escuro e o lado claro da luz visA�vel”, que serA? realizada dia 1 de junho, em GoiA?nia, durante a 39A?. ReuniA?o Anual da SBQ.

Com sua equipe no LaboratA?rio de FotobioquA�mica, o professor Baptista demonstrou que a luz visA�vel, ao interagir com a melanina, pode causar danos no material genA�tico (DNA), proteA�nas e membranas das cA�lulas. Ela pode atA� iniciar um processo cancerA�geno.

“NA?s procuramos entender como a luz visA�vel afeta a pele: em que condiA�A�es e com quais consequA?ncias. Agora A� preciso descobrir estratA�gias de proteA�A?o, porque os filtros solares existentes sA? protegem contra os efeitos do UV. Buscamos cromA?foros que possam ser sintetizados para funA�A�es terapA?uticas especA�ficas”, afirmou o professor Baptista ao Boletim da SBQ.

Leia a A�ntegra da entrevista do professor MaurA�cio da Silva Baptista :

Quais as principais conquistas do seu grupo de pesquisa nos A?ltimos anos?
Gostaria de citar as trA?s principais conquistas:
Em primeiro lugar, demonstramos que a melanina (polA�mero natural sintetizado para proteger a pele contra os efeitos da luz UVB), sob exposiA�A?o a luz visA�vel, gera oxigA?nio singlete e causa danos em membranas e DNA nuclear. A consequA?ncia disso A� que as pessoas devem evitar exposiA�A�es prolongadasao sol, mesmo se estiverem usando filtros solares que protegem contra UV.
TambA�m desenvolvemos novos fotossensibilizadores (funcionam como fA?rmacos ativados por luz) com performance melhorada baseados em molA�culas orgA?nicas, inorgA?nicas e nanomateriais.
E por fim desenvolvemos novos protocolos clA�nicos para o tratamento de enfermidades diversas, dando A?nfase para o tratamento do pA� diabA�tico nos A?ltimos anos.

Qual a distA?ncia que separa suas conquistas da produA�A?o industrial das novas terapias?
Temos mantido contato constante com especialistas trabalhando em indA?strias e hospitais. Mantemos parceria com a empresa do ramo cosmA�tico Farma-Service Bioextract. Desenvolvemos tambA�m trabalho em parceria com hospitais, valendo ressaltar o trabalho com o mA�dico Dr. JoA?o Paulo Tardivo no tratamento do pA� diabA�tico no Hospital Anchieta vinculado A� FM-ABC.

Como A� possA�vel estimular mais jovens a seguir carreiras cientA�ficas?
Estimular desde cedo o prazer por aprender e ensinar, que no meu entender sA?o as atividades bA?sicas de um pesquisador professor.

Quais os desafios que um cientista enfrenta diariamente no seu trabalho, no Brasil?
Para um grupo de pesquisa consolidado no Brasil, o principal desafio continua sendo a falta de agilidade no uso de recursos para pesquisa. As dificuldades vA?o desde as regras de importaA�A?o atA� a impossibilidade de ter pesquisadores associados. Para os pesquisadores que estA?o comeA�ando, as restriA�A�es orA�amentA?rias impostas pela crise atual devem dificultar o desenvolvimento de grupos competitivos internacionalmente.

A 39A? ReuniA?o Anual da SBQ serA? no Centro de ConvenA�A�es de GoiA?nia, de 30 de maio a 2 de junho de 2016.

Fonte: Mario Henrique Viana, assessor de imprensa da SBQ.