O Sistema CFQ/CRQs, que compreende o Conselho Federal de Química e os 21 Conselhos Regionais de Química, vem a público afirmar que o conteúdo que circula em redes sociais associando o hábito de adicionar limões e laranjas em refrigerantes gera reação química produzindo benzeno (ou benzol) não corresponde à verdade.

Importante destacar que o Sistema CFQ/CRQs mantém uma campanha de combate à desinformação em caráter permanente, e o caso citado se enquadra no que se entende como “fake news”. Ao difundir o referido conteúdo, seus autores tentam falsamente incutir na sociedade um temor infundado, visto que o benzeno é classificado pela Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC) como um carcinógeno humano do Grupo 1, ou seja, é capaz de estimular o surgimento da doença.

Em termos técnicos, para que ocorra a reação de formação de benzeno a partir de benzoatos (presente no refrigerante) e do ácido ascórbico (a vitamina C do limão), seriam necessárias condições muito específicas, como presença de metais, além de temperatura elevada, incidência de luz (raios UV-A) e tempo de contato prolongado. Como o refrigerante é consumido gelado e em curto intervalo de tempo, essa reação química se torna inviável.

Para deixar mais claro, a reação natural gerada, promovida em meio ácido, é a formação de ácido benzóico, que é absorvido pelo nosso organismo e é de fácil eliminação, por ser solúvel em água. Tecnicamente, o ácido benzóico não se reduziria diretamente a benzeno, ele se reduziria ao álcool benzílico. E as condições para essa redução não são encontradas no corpo humano.

O benzeno, em concentrações inofensivas, diga-se, está presente inclusive no ar que respiramos. Ele pode vir de fontes naturais, como incêndios florestais e atividades vulcânicas, ou de atividades humanas, como fumar cigarros e a queima de combustíveis de origem fóssil. Aproximadamente 99% do benzeno presente no nosso corpo foi inalado, e não ingerido.