Trinta e nove anos depois, o acidente com o Césio-137 permanece como uma das páginas mais dolorosas da história de Goiânia e um alerta permanente sobre a importância do conhecimento científico, da segurança e da responsabilidade. Para o presidente do Conselho Regional de Química da 12ª Região (CRQ-12), Evilázaro Menezes de Oliveira Castro, relembrar o episódio é também uma forma de manter vivas as lições deixadas pela tragédia.

“Como químico e presidente do CRQ, vejo esse espaço como fundamental para preservar a história, principalmente para mostrar às novas gerações que a ciência exige conhecimento, exige responsabilidade, segurança e respeito à vida”, destacou. Para Evilázaro, preservar a memória do acidente significa ainda manter o olhar sobre suas vítimas e as consequências que ultrapassaram aquele momento histórico.

As declarações foram dadas durante visita do presidente do CRQ-12 à mostra “Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer”, em cartaz no Museu de Arte de Goiânia (MAG), no Bosque dos Buritis. A exposição revisita um dos episódios mais marcantes da história da capital a partir de uma perspectiva íntima e familiar, contribuindo para preservar as memórias de quem vivenciou de perto as consequências do acidente.

O presidente do Conselho também lembrou a atuação conjunta de especialistas de diferentes áreas no enfrentamento da emergência. “Naquele momento, naquela época trágica, profissionais de diferentes áreas, entre químicos, físicos, médicos e tantos outros especialistas, uniram seus conhecimentos e todas as suas forças para enfrentar uma situação de extrema complexidade”, disse.

“Que essa memória permaneça não apenas para lembrar o que aconteceu e homenagear os profissionais que desempenharam seu papel, como químicos e físicos, mas também para lembrar das vítimas que morreram nesse acidente e daquelas que estão vivas hoje, com as marcas da radiação, que foi devastadora na vida delas”, afirmou.

Cronologia do caso

Um dos momentos decisivos para a descoberta do acidente ocorreu em 28 de setembro de 1987. A suspeita de que o pó encontrado no equipamento pudesse estar relacionado aos problemas de saúde que atingiam familiares e pessoas próximas surgiu com Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair Alves Ferreira. Naquele dia, ela levou a cápsula contendo o material radioativo, dentro de uma sacola plástica, até a Vigilância Sanitária.

No dia seguinte, 29 de setembro, o acidente foi oficialmente identificado. O físico Walter Mendes Ferreira constatou os altos níveis de radiação, dando início às providências para o isolamento das áreas afetadas e ao enfrentamento de uma emergência radiológica que marcaria definitivamente a capital goiana.

Aberta ao público e gratuita, a exposição “Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer” segue em cartaz no Museu de Arte de Goiânia até 12 de outubro. “Estar aqui hoje é, acima de tudo, um exercício de memória e de responsabilidade. O acidente do Césio, que aconteceu em 1987 e agora completa 39 anos, marcou profundamente a nossa sociedade e, principalmente, a história de Goiânia”, afirmou Evilázaro.